Publicações do autor

A Teologia e a Eclesiologia da vocação

José Lisboa Moreira de Oliveira, SDV
(Revista Espírito Edição 65 (ano 1996) paginas 22-31)

 INTRODUÇÃO

No Brasil constata-se uma ausência de uma teologia da vocação. É verdade que avançamos na produção de subsídios de Pastoral Vocacional (PV), mas faltam textos de teologia vocacional que possam nos ajudar no aprofundamento desta temática. Esta questão da falta de uma teologia que fundamente a práxis da PV não é um problema somente do Brasil. Também a nível mundial a reflexão teológica em torno do tema da vocação é ainda muito tímida. Isto foi constatado há algum tempo atras numa pesquisa realizada pela Santa Sé e publicada em 1992. Tal pesquisa, fruto de uma consulta às conferências episcopais e às conferências de religiosos, revela que “falta ainda um estudo sistemático” deste argumento. Constata que existe pouco interesse nas escolas teológicas e entre os teólogos, no sentido de aprofundar este assunto (cf. Desenvolvimento da Pastoral das Vocações nas Igrejas Particulares, n. 39, Col. “Doc. Pontifícios”, Vozes, nº 244).

Esta ausência de uma teologia vocacional não deixa de ser negativa, enquanto a práxis permanece sem uma fundamentação teológica. A falta desta fundamentação teológica, por sua vez, leva, geralmente, a improvisação: a PV deixa de ser uma constante, algo permanente, para tornar-se um “apêndice”, atividade esporádica realizada de vez em quando por algumas pessoas (cf. DPVIP, 37). Torna-se, pois, “necessário aumentar o esforço em vista de uma conveniente fundamentação bíblica e teológica das vocações, para evitar o perigo de uma visão puramente funcional da pastoral das vocações” (DPVIP,

31).

  1. TEOLOGIA DA VOCAÇÃO
  1. A vocação como chamado à comunhão com a Trindade

A partir do concílio Vaticano II voltou-se a perceber a Igreja como sendo “o povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espirito Santo” (LG 4). Esta nova visão da comunidade eclesial contribuiu muito para uma re-definição da vocação, vista agora como chamado à comunhão com o Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. A partir do Vaticano Il vai-se configurando cada vez mais a dimensão trínitáría da nossa vocação. O segundo congresso internacional das vocações (Roma, 1981), no seu documento conclusivo, explícita de forma definitiva e muito clara esta dimensão trinitária: “Cada vocação está Iigada ao desígnio do Pai, a missão do Filho, à obra do Espírito Santo. Cada vocação e iluminada e fortalecida à luz do mistério de Deus” (2º CIV, 7).

  1. A vocação como relação

Ao realçar esta dimensão trinitãria da vocação os textos acima mostram também a ligação que existe entre a vocação, a vida e consequentemente a espiritualidade. A vocação passa a ser entendida como relação pessoal com Deus vivida no interior de uma comunidade bem concreta. Deus chama para um encontro com Ele, a partir das solicitações de um povo que sofre (cf. Ex 3,1-10; Jr 1,4-10). A vocação é, pois, uma “sedução” (Jr 20,7), uma “conquista do coração” (Os 2,16) por parte de Deus para uma vida de intimidade, de comunhão com Ele. É um convite para ficar com Ele, para participar da sua vida (cf. 1 Ts 4,17; Jo 17,24; 1 Pd 5,1).

Sendo convite para uma relação de intimidade com a Trindade, a vocação aparece também como chamado à santidade, isto é, à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Vocação é, pois, comportar-se como o Pai se comporta (Mt 5,48). Vocação é chamado para amar, é chamado ao serviço

(1 Jo 4, 7-21; Mc 10,45). Tinha então razão Teresa de Lisieux quando, nos seus Manuscritos Autobiográficos. escrevia: “Percebi e reconheci que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os tempos e lugares, numa palavra, o amor é eterno. Então, delirante de alegria,

exclamei: Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação: minha vocação é o amor”.

  1.  Vocação à comunhão e participação

A vocação é amar, é servir, e relacionar-se com a Trindade, a partir do encontro, da relação com o próximo. Ela é comunicação, isto é, vida de comunhão e de participação. Responder ao chamado é inserir-se na vida da comunidade; é tomar parte ativa na construção do Reino. Vocação não é isola-

mento, busca de satisfações, de “realização pessoal”. Não é realização de “projetos pessoais”, mas o dar a vida pela defesa da vida (Jo 10,11; 15,13).

Puebla enfatizou bastante este aspecto da vocação ao afirmar: “Este chamamento pelo Batismo, Confirmação e Eucaristia para sermos povo seu, chama-se COMUNHÃO e PARTlClPAÇÃO na missão e na vida da Igreja e, portanto, na evangelização do mundo” (P 852). Chamados a ser povo, a comungar, a participar na vida e na missão da comunidade eclesial. Estes são elementos que não podem de forma alguma serem esquecidos hoje, neste mundo da pós-modernidade, marcado por uma grande tendência ao individualismo. Precisamos insistir com muita ênfase sobre isto em nosso trabalho vocacional.

Esta visão de vocação como chamado à comunhão e participação nos leva a descobrir, como elemento essencial do chamamento, a vida de fratemídade, de sororidade. lsto quer dizer que faz parte da essência da vocação o desejo, a vontade, o compromisso de “reproduzir” na Igreja e no mundo o tipo de relação que existe no seio da Trindade. A participação na comunhão trinitária exige a comunhão fraterna entre nós (P 326-327). Não ‘pode ser sincera uma relação de comunhão com Deus quando ela não se repercute também no relacionamento com os irmãos e irmãs. Nossa vocação é uma chamado para amar a Deus, mas não ama a Deus quem não ama o seu próximo (1 Jo 4,20). Consequentemente não é autêntica aquela vocação que não se abre à solidariedade. A Trindade permanece como modelo da comunhão que deve brotar da vivência da nossa vocação (P 212). Esta vida de comunhão, por sua vez, dá autenticidade a nossa vocação. Ela é o sinal mais claro de que estamos realmente vivendo numa intensa comunicação com a Trindade (P 215).

  1. Dimensões da vocação

Porque a vocação é comunhão com a Trindade, que se traduz concretamente na experiência de verdadeira irmandade, vemos a necessidade de se insistir, no campo teológico, sobre três dimensões essenciais da mesma. Já o documento de Puebla chamava a nossa atenção para esta realidade (P 854). O Guia pedagógico de Pastoral Vocacional da CNBB (1983) retoma esta questão, completando e comentando a afirmação de Puebla. São aspectos inseparáveis, complementares que marcam profundamente a vida e a opção do vocacionado. Por isso vale a pena estudá-los separadamente, mesmo sabendo que eles não devem nunca ser vistos como elementos autônomos, isolados. Nenhuma destas dimensões subsiste separadamente, mas cada uma está em profunda relação de interação com as demais.

  1. Dimensão antropológica: trata-se, como diz Puebla, do chamado para ser pessoa humana. lsto quer dizer que, antes de qualquer coisa, o vocacionado tem que ser gente, com todas aquelas qualidades que caracterizam o ser humano. Uma atenção particular deve ser dada à capacidade de relacionar-se bem com as demais pessoas, já que a pessoa humana foi criada por Deus como ser social. Como já vimos acima, a vocação é sempre díalogal. Por isso ela só se concretiza “nas relações inter-pessoais, sejam elas as da família, da amizade ou do coleguismo, das comunidades pequenas ou grandes de que participa” (GPPV, 27) o ser humano. Não é possivel, pois, falar-se de vocação verdadeira, deixando de lado as exigências da natureza humana.
  2. Dimensão cristã ou eclesial: é o chamado a viver o nosso batismo, o apelo à santidade, através de uma participação ativa na vida da comunidade. É o viver em comunhão com Deus na comunhão e cooperação com os demais irmãos e irmãs. Aparece, neste caso, a importância do compromisso e do engajamento, do assumir o próprio batismo. Vale muito ressaltar esta dimensão batismal da nossa vocação na sua tríplice missão: profética, sacerdotal e real. Do mesmo modo é preciso insistir sobre a dignidade de todas as vocações e, portanto, de todos os membros do povo de Deus. Existe uma variedade de vocações, de carismas, mas todos e todas possuem a mesma Ninguém é superior a ninguém, ninguém é melhor do que ninguém (LG 32). Isto mostra também que todos e todas, na Igreja, são chamados e chamadas ao apostolado. Todos e todas temos a mesma missão.
  3. Dimensão específica: toda vocação, mesmo sendo vivida na comunidade e a serviço da comunidade, é personalizada. Ou seja: cada cristão ou cristã responde ao chamado do Pai de acordo com os dons e carismas recebidos do Senhor. Assim sendo, a “vocação específica” (leiga, de vida consagrada ou ministerial) é a forma concreta que permite a cada batizado ou batizada
  • de dar a sua contribuição própria para a construção do Reino de Deus. Esta dimensão da vocação quer chamar a nossa atenção para a singularidade de cada pessoa, enquanto “palavra de Deus irrepetível” (cf. GPPV, 32). Não se pode, na questão vocacional, deixar de considerar também a diversidade de aptidões, de qualidades pessoais e as circunstâncias nas quais brota e se desenvolve o chamado de Deus. Não se esqueça, porém, que, mesmo realizando de forma pessoal a vocação comum, o cristão ou cristã deve direcioná-la para a comunidade. De fato, se é verdade que o único e mesmo Espírito distribui os seus dons a cada um conforme ele quer (1Cor 12,11), é também verdade que todo dom, sem exceção, é para a utilidade de todos, para o bem da comunidade (1Cor 12,7).
  1. Teologia do carisma e da missão

Não se pode falar de vocação sem uma referência concreta ao tema do carisma e da missão. Ambos estão intimamente ligados ao dinamismo da vocação.

Os carismas, segundo a teologia paulina (1 Cor 12,4—31) são dons diferentes, serviços diferentes, diferentes modos de agir, suscitados pelo Espírito, e destinados à edificação da comunidade cristã. Poderíamos então dizer que os carismas são dons do Espírito que tornam o cristão apto para o exercício da própria vocação em favor de toda a comunidade (LG 12). Os carismas são serviços concretos, atividades concretas que possibilitam a vivência de uma determinada vocação especifica. Existe, pois, uma pluralidade de carismas. Para cada forma de vocação podem existir uma diversidade imensa de carismas. Enquanto meios concretos de atuação de uma determinada forma de vocação, os carismas não são apenas dons extraordinários concedidos a pessoas extraordinãrias. Eles são elementos comuns que fazem parte do cotidiano da comunidade e não apenas privilégio de alguns (LG 12). Uma das funções especiiicas da PV e ajudar o vocacionado ou vocacionada a perceber os carismas que o Espírito está suscitando em sua vida, a fim de que possa descobrir o seu verdadeiro lugar na igreja (cf. J. L. M. DE OLlVElRA, Vocação e Carisma. Ensaio de Teologia Vocacional, Vit. da Conquista, 1984, págs.

19-26).

Vocação e carismas não são fins a si mesmos. Existem para a missão. Por isso toda reflexão sobre a vocação requer também algo sobre a missão. Dentro deste contexto de uma teologia da vocação é indispensável destacar a questão da missionariedade da igreja. Precisamos insistir muito ainda sobre a

verdade de que a igreja inteira, toda ela, todos os batizados e batizadas, são sujeitos da missão. Além disso, é preciso dizer que esta missionariedade deve ser vivida em toda parte, em todos os níveis e em todos os tempos. Em seguida precisamos definir o que é a missão. Trata-se de evangelizar, isto é,

de anunciar a salvação, a boa nova da libertação operada por Cristo. Tal anúncio, dentro da situação atual do mundo, deve ser essencialmente do Evangelho da Vida (JOÃO PAULO ll), ajudando a humanidade a fazer a história, a contribuir para uma “nova criação”, construindo no aqui e agora uma

sociedade nova e diferente, numa clara e contundente opção preferencial pelos pobres.

Tudo isto mostra que a missão é para o mundo e se desenvolve no mundo, ou seja, uma missão que tenha um compromisso efetivo com o bem da pessoa humana na sua totalidade; que leve o cristão e a cristã a aproximar-se, com os olhos e com o coração, daqueles e daquelas que sofrem e passam fome, dos que estão quase mortos (Lc 10,25-37). Sendo serviço à humanidade, a missão, como a vocação, possui uma dimensão comunitária e uma dimensão pessoal. Comunitária porque ela é antes de tudo confiada à Igreja, enquanto ekklesia, isto e, comunidade convocada e reunida pela Trindade. Pessoal, enquanto cada fiel tem o seu jeito de vivenciar a missionariedade da Igreja (cf. J. L. M. DE OLIVEIRA, “A vocação missionária “, in Espirito, nº 61,

págs. 6-17).

  1. Teologia da vocação num contexto de modernidade

Ao abordarmos o tema da teologia da vocação, não podemos esquecer o contexto no qual nós estamos vivendo. Tal contexto é o da modernidade ou, como querem alguns, o da pós-modernidade. Aqui uma das características principais é o da valorização do indivíduo, da pessoa, chegando mesmo ao extremo do individualismo.

Tendo presente esta realidade, não basta que a teologia da vocação ressalte a iniciativa divina no chamado (Jo 15,16). Ela terá também que mostrar com a mesma ênfase e entusiasmo que o apelo do Pai é dirigido à pessoa humana livre (Mt 19,21; Gn 1,28-31). Torna-se, pois, indispensável entender

bem a questão da predestinação (Ef 1,4; Jr 1,5) na sua relação com a dinâmica da vocação, com a dinâmica do chamado do Senhor. O projeto de Deus para uma pessoa não é algo estático, pré-determinado, pré-estabelecido, mas um apelo que se faz através de mediações bem concretas (Jo 1,85-50). Deste modo a pessoa pode dizer “sim” (Lc 1,38), fazendo acontecer a história da salvação, ou dizer “não” (Mt 19,22) e frustrando o projeto de amor do Pai.

  1. Teologia das vocações específicas

No que diz respeito a teologia das vocações específicas, convém observar

o seguinte:

  1. Vocação do (a) cristão (ã) leigo (a): é preciso dizer, antes de tudo, que esta é a vocação básica, enquanto é a vocação batismal, da qual dependem as vocações de especial consagração. Outro dado importante, mencionado inclusive por Santo Domingo (SD 94), é que os leigos são maioria na Igreja. Pode parecer um detalhe sem significado do ponto de vista teológico, mas numa Igreja ainda marcada por um excessivo clericalismo, isto representa algo muito profundo. A teologia da vocação do cristão leigo, da cristã leiga, deverá insistir sobre a necessidade de mais espaços de participação e de poder
  • de decisão para os leigos e leigas. Isso em decorrência de um direito que nasce do sacramento do batismo. Temos aqui as bases teológicas para iluminar o tão falado, mas pouco praticado protagonismo dos leigos (SD 97). A partir destes pressupostos, a teologia da vocação do leigo e da leiga é chamada a aprofundar o específico desta vocação que é a indole secular, entendida como inserção nas realidades temporais, participação nas atividades terrenas (CtL 17), evitando qualquer tipo de reducionismo ao “intra-eclesial” (8D 97). Ajudará assim a alargar o conceito de engajamento. visto antes de tudo
  • como compromisso de transformação da sociedade.
  1. Vocação da vida consagrada: o aprofundamento teológico da vocação da vida consagrada se fará antes de tudo a partir da dimensão simbólica da mesma (LG 44). A vida consagrada fala mais pelo que ela é do que pelo que ela faz. Em consonância com esta realidade, somos chamados a contextualizar melhor o significado dos votos, da vida comunitária e de outros elementos da vida consagrada. A questão da especificidade deste tipo de vocação não pode ficar esquecida. Ela, sem dúvida alguma, passa pelo seguimento radical de Jesus Cristo, pela iiminalidade, isto é, pelo apelo a ser, na Igreja, profecia, utopia, avanguarda, ponta-de-Iança.
  2. Vocação dos ministros ordenados: o trabalho da teologia da vocação dos ministérios ordenados sera determinar, com mais clareza, o específico do ministério. Sabemos como é ainda forte o “monopólio pastoral” por parte dos ministros ordenados. Este trabalho de pesquisa teológica poderá contribuir para a superação de uma “pastoral de manutenção e de administração” ainda muito forte na mentalidade dos nossos ministros. Pontos como o celibato, a inserção no presbitério da Igreja local também exigem um maior aprofundamento. Dito isto pode-se concluir que a vocação dos ministros ordenados é aquela de ser ”serviço da unidade da comunidade” (P 661) em torno da eucaristia, “raiz e eixo de toda comunidade“ (P 662). O específico dos ministros ordenados é a presidência da comunidade, ser sacramento de Cristo Pastor e Cabeça da Igreja (P 659). Nada mais além do que isso (cf. J. L. M. DE OLI—
  • VEIRA, “A vocação em Santo Domingo”, in Espírito, nº 54, 12—29).
  1. ECLESIOLOGIA DA VOCAÇÃO

Não resta dúvida de que, muitas vezes, “as dificuldades, no que respeita às vocações, estão ligadas a um conhecimento insuficiente da Igreja” (DPVIP, 81). Por isso, para que 3 PV possa desenvolver-se plenamente, é indispensável uma profunda reflexão sobre a Igreja.

  1. Qual Igreja?

É sem dúvida alguma a primeira pergunta a ser feita. Qual o modelo de Igreja ao qual nos referimos quando fazemos pastoral vocacional? Certamente não poderá ser um modelo qualquer. Penso que o modelo mais correto, que mais favorece o desenvolvimento de uma autêntica PV, seja aquele construído pelo concílio Vaticano II: Igreja-Comunidade convocada pela Trindade, “povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (LG 4). Somente esta visão de Igreja contribui para que todos os seus membros vivam em estado de vocação e de missão (29 CIV, 8), sentindo-se convocados pelo Pai para o serviço ao Reino. Numa Igreja fortemente piramidal, predominantemente hierárquica, isto é, clericalizada, dificilmente as pessoas sentir-se-ão num estado permanente de vocação e de missão.

  1. Igreja de comunhão e participação

Somente uma Igreja imagem da Trindade pode tornar-se o espaço adequado para o surgimento e desenvolvimento das vocações. Isto porque nela a “unidade dos fiéis que constituem um só corpo em Cristo” (LG 3) na igual dignidade e na variedade de funções (LG 32) abre espaço para a comunhão e participação. Somente numa Igreja assim existe a presença de instrumentos e de organismos que permitem o engajamento de todos os fiéis e abrem caminho para o surgimento das diversas vocações. Só aqui os jovens encontram “um terreno eficaz para o amadurecimento humano, cristão e apostólico” (2º CIV, 40).

  1. Igreja mãe das vocações

Tal Igreja é, ao mesmo tempo, mãe das vocações. Sente-se chamada e ao mesmo tempo convocada a chamar. Ela tem consciência de ser uma comunidade de pessoas chamadas que, por sua vez, torna-se apelo vivo da Trindade (29 CIV, 13). Este modelo de Igreja comunhão—participação “se identifica com todas as vocações de que ‘é constituida. Nela recebem os batizados o chamamento universal ao sacerdócio comum dos fiéis e a santidade. Nela surgem, por dom do Espirito Santo, os chamamentos especiais para os ministérios ordenados, para a consagração religiosa e secular e para a vida missionária. Ela é, pois, a reunião de todos quantos, em comunhão com o seu bispo e entre si, são chamados pelo Pai ao seguimento do Senhor Jesus, de cordo com os carismas do Espírito“ (29 CIV, 15). E porque há esta identifiação, todos sentem—se responsáveis pelas vocações (2º CIV, 29—41).

  1. Igreja “encarnada”

A Igreja onde as vocações podem brotar é aquela que escuta o clamor do povo (P 93) e que vive em processo permanente de renovação (P 100). Uma Igreja que não reclama privilégios (P 1212), mas vive no mundo e na socieade a sua missão profética, denunciando as injustiças e anunciando a utopia evangélica de uma sociedade nova, mais humana e mais fraterna (P 1213). Terá que ser uma Igreja capaz também de dialogar com a sociedade pluralista (P 1037) e não apenas a Igreja da apologética e da defensiva.

Trata-se, pois, de uma Igreja servidora, toda “ministerial” (de minus stare), isto é, onde todos e todas, sem exceção, são chamados e chamadas a servir.

Somente numa Igreja assim, “os jovens descobrem a realidade em que vivem, e os ministérios e serviços de que a comunidade tem necessidade. E os compromissos de hoje, se isso estiver nos desígnios do Senhor, podemser prelúdio de uma consagração definitiva para toda a vida” (29 CIV, 43). Nesta Igreja-Comunidade ministerial os jovens e as jovens não são apenas elementos passivos que tudo recebem, mas agentes ativos, participantes e responsáveis, verdadeiros protagonistas, de acordo com os carismas e as possibilidades de cada um, de cada uma (cf. ibidem).

III. INDICAÇÓES PRÁTICAS PARA A PV

Estas reflexões sobre a teologia e & eclesiologia da vocação nos apontam algumas indicações práticas para a PV. Elenco aqui apenas as mais importantes:

  1. A necessidade de aprofundar o conceito teológico de vocação, avaliando sempre que tipo de teologia sustenta a nossa prática. “Uma correta impostação da proposta deve fundar-se necessariamente numa sólida teologia da vocação e das vocações, em sintonia com a eclesiologia do Vaticano ll” (DPVlP, 30).
  2. Partindo desta avaliação do tipo de teologia, verificar constantemente a visão que se tem de Deus. De quai “deus” estamos falando na PV? É o Deus de Jesus Cristo? É o Deus Trindade, Comunidade de Amor? Para se fazer uma boa PV “é necessário subir até o mistério de Deus” (29 ON, 7).
  3. Apresentar sempre a vocação como relação, como comunhão, dando muito valor à experiência e a espiritualidade (Jo 1,39; Mc 3,14).
  4. Trabalhar bem o humano e o cristão antes de partir para a questão das vocações especificas. Atenção particular deve ser dada ao comportamento problemático das famílias, a fragilidade psicológica dos jovens, ao medo do empenho definitivo, ao prolongamento da adolescência e os problemas conexos (ct. DPVlP, 73—76).
  5. Dar mais atenção à questão da inculturação e da modernidade. “Há fenômenos gerais que influem sobre as vocações, sobretudo no mundo ocidental […] O tempo em que vivemos e considerado como período de transição, caracterizado por isso por atitudes ambivalentes e contraditórias. As transformações profundas da sociedade revelam por um lado a inadaptação das culturas tradicionais e por outro a necessidade inquieta de novos projetos da existência humana” (DPVlP, 71).
  6. Definir melhor o específico de cada vocação, dando real valor ao protagonismo dos leigos. isto significa também a necessidade de se encontrar uma metodologia adequada para cada época, situação, lugar e grupo de pessoas. Ou seja, “a necessidade de realizar um notável esforço no sentido duma sintonia com a mentalidade dos jovens para transmitir a mensagem vocacional” (DPVlP, 66). Trata-se da questão tão delicada da comunicação com a juventude. “Os próprios animadores vocacionais usam muitas vezes uma linguagem que os jovens não conseguem compreender porque está fora dos seus esquemas mentais” (lb., 72).
  7. Neste esforço de procurar entender o específico de cada vocação, evitar o “reducionismo vocacional”, ou seja, aquela tendência ainda presente em certos setores da Igreja de confundir PV com “Obra das Vocações Sacerdotais”. Foi, por exemplo, o caso de Santo Domingo (cf. SD 79-82).
  8. Por isso trabalhar para que a PV não seja mais uma “pastoral setorial”, mas a coluna vertebral de toda a pastoral de uma Igreja particular (cf. DPVlP, 44-45).
  9. Daqui, pois, a necessidade de uma maior interação entre a PV e outras pastorais, especialmente a Pastoral da Juventude e a Pastoral Familiar, lembrando porém o princípio acima, isto é, que a PV não faça parte de um conjunto de pastorais, mas da pastoral de conjunto (cf. ib., 45).
  10. Diante destes desafios, percebe-se que o(a) animador(a) vocacional não pode ser improvisado e nem improvisar. “A falta de preparação dos animadores e dos formadores é um dos problemas que exigem uma solução irrevogável” (Ib., 38). Em muitos lugares a PV está reduzida “a algumas atividades programadas com bom interesse, mas também com muita improvisação” (Ib., 37).

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Confira anúncio da nomeação do Padre Ionilton na Rádio Vaticano

A rádio oficial do Vaticano anunciou a nomeação do Pe. Ionilton como Bispo de Itacoatiara/AM. Confira como foi.

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A Espiritualidade do Beato Justino da SS. Trindade

Pe. Eduardo Batista da Motta SDV

Neste ano dedicado como ano Justiniano para as Congregações Vocacionistas, somos chamados a redescobrir o grande patrimônio espiritual de nosso Padre Fundador. Certo de que aqui não podemos aprofundar toda sua espiritualdade, queremos fomentar o interesse dos leitores a descobrir neste homem a profundidade do amor de Deus que se manifestou em sua vida, e ao mesmo tempo compreender que este amor também se manifesta na vida de cada um de nós, já que Deus quer viver uma profunda união com todos.

Cada homem e mulher têm uma espiritualidade, mas o que é propriamente espiritualidade? São Paulo na carta aos Romanos nos revela que espiritualidade significa “caminhar segundo o Espirito” (Rm 8,4), que é “caminhar no amor” (Ef 5,1), deixar-se ser amado e guiado por Deus em sua vida. Foi o que o Beato Justino fez: deixou-se ser amado e conduzido por esse amor, respondendo ao chamado divino, que consequentemente não podia ficar alienado ou distante da realidade humana, mas manifesto em todas suas ações concretas esse amor divino, como ele mesmo nos recorda: ação na contemplação e contemplação na ação.

Os vocacionistas sabem que o fim de toda espiritualidade do nosso Fundador foi a União Divina com a Santíssima Trindade. Mas como nasce essa Vivência espiritual? Nasce da inspiração biblica da criação “façamos o homem a nossa imagem” (Gn 1,26), tomando assim consciência que desde a criação, o homem foi chamado a essa união. Deixando-se envolver pela ação do Espírito Santo, mergulha no amor trinitário até ser absorvido plenamente numa relação de amor com a Trindade.

O Beato Justino partindo da criação observa que toda obra criada está em profunda comunhão com seu criador e é a manifestação do seu amor. Mas de todo o criado, a maior e a mais sublime que manifesta essa comunhão com Deus é a alma humana, por isso ele a chama a grande estrela de Deus, afirmando que “somente Deus é o nosso principio, o nosso centro e nosso fim; somente Deus. Ele criando a alma e elevando-a ao sobrenatural, a orientou para o seu fim que é Deus mesmo, com aquele seu primeiro

imperativo: Crescei”. Podemos observar que Justino vê a iniciativa de Deus, que chama constantemente o homem a viver esta união com Ele. Deus provoca, chama a atenção do homem para que este responda a essa chamada de amor, movida por seu próprio espírito, fazendo com que a alma humana sinta “cada vez mais desejosa em possuí-lo em maior grau. E, para melhor compreende-lo e alcança-lo, não encontra outra maneira ou direção que dirigir-se com maior ardor para a visão do seu fim”.

Dessa iluminação, o beato Justino começa a ver que tudo na vida tem uma chamada divina, a qual Deus chama os homens a participar do seu mistério de amor. Assim, a vocação é a resposta do homem ao amor divino, o qual o homem vai, responde à vontade salvadora e santificadora de Deus em sua vida, atraído por seu amor.

A centralidade da espiritualidade do Beato Justino está na união divina, já que Deus quer esta união de amor com os homens, não uma relação qualquer, mas como uma relação nupcial. Para isso é necessário que o homem responda como ele mesmo nos anima: “E se essa (alma) lhe corresponde como Ele deseja a une a Si como esposa. Por isso permitamo-nos pensar Dele o mesmo que Ele disse de nós: ‘Não é bom que Deus esteja sozinho. Tenha um adjutório semelhante a si”.

Os homens foram criados para a santidade, para esta união. Por isso a missão dos vocacionistas está em levar os homens à união divina, partindo da necessidade de motivar a uma predisposição de aceitar o convite, de sentir a alegria de ser convidado por seu Senhor, de estar com Ele, de gozar de sua presença, por meio das celebrações eucarísticas, da oração pessoal e mental, da vivência comunitária e das relações naturais e sobrenaturais, para que estes cheguem a seu fim, a união.

Toda ação pastoral do Beato Justino foi movida pelo desejo de que todos cheguem a essa união, como alma esposa de Deus, que deve ser algo de fato, real, como ele nos afirma “não só podemos ser chamados ‘esposa de Deus’, mas podemos sê-lo de fato. Não por nada todas as criaturas são para nós outros tantos embaixadores do Amor, lugares de encontro com o Amor, leito conjugal para a união com o Amor! Não por nada toda a vida é chamada pelo Evangelho ao Banquete nupcial que Deus, com seu Filho, realiza para as almas. E toda missão dos Ministros de Deus é aquela de chamar as almas para este

banquete, ou melhor, é de força-las a se apresentarem, adornadas com a veste nupcial.” Por isso, a Igreja, como sinal de dilatação do reino de Deus nesta terra, através dos sacramentos e dos ministros, se torna o meio para levar os homens a esta união, através de um crescimento espiritual que ele chama de ascensão, onde os homens vão ascendendo em sua vida ordinária até o sobrenatural, para que chegue à perfeição em Jesus, a qual todos os homens devem alcançar.

Este processo ascensional do homem até a união com a Santíssima Trindade, para o Beato Justino, nasce antes de tudo da disposição do homem de colocar-se na presença de Deus, buscando viver a perfeição cristã no cotidiano da vida, em seus diversos graus, aonde vai percebendo a presença de Deus que chama e fala, oferecendo seu amor e sua misericórdia. Dessa maneira, o homem escuta e fala com quem ama, nascendo certa união, uma intimidade, donde se vai conhecendo o outro, ao ponto de abandonar-se a si mesmo, no amor, na fé e na conhança, que se mifesta na oração perfeita e cotidiana, criando momentos prolongados de desfrutar dessa intimidade com o amado, que vai se tornando mais intensa e necessária. Aumentando assim a  estima e o desejo de possui-lo.

O desejo dessa união nasce da chamada divina, a qual o homem respondendo com a fé, no ficar somente ai, já que a descoberta de ser amado e atraído por Deus, não se satisfaz somente em escuta-lo, mas provoca o desejo de tocar, abraçar, beijar, unir. Por este motivo o Beato Justino nos faz compreender que através dos sacramentos, que são sinais de Jesus e de sua presença no meio de nós, e de sua redenção, para continuar sua relação com todos, onde nos eleva e santifica. Assim, os sacramentos são meios para viver esta união aqui, através da oração, da comunhão cotidiana e da confissão.

O homem descobrindo nos sacramentos a presença viva de Deus e da sua união com Ele, automaticamente sacramentaliza todas as coisas, elevando tudo a Deus, santificando, com o sentido de restituir todas as coisas a Deus, como ato de gratidão pelos dons recebidos, cuidando, preservando e elevando com um coração grande a seu criador, dispondo seus dons cada vez mais, sobretudo com o dom de si mesmo, através de sua vida, sua obediência, seu coração, respondendo com fidelidade a Deus, ou seja, oferecendo sua própria vida como Jesus e Maria. Porque o Senhor que nos chama, nos separa nos enche com seu amor, para enviar-nos a doar-se aos demais, como Ele mesmo se doa na relação trinitária como observa o Beato Justino: “o Pai, o Filho e o Espirito Santo, por causa daquele amor infinito que uma Pessoa tem para com outra, ou melhor, dizendo, por causa daquele amor infinito que uma Pessoa é para outra, como se não fosse suficiente dar-se totalmente um ao outro, quiseram presentear-se um ao outro com um dom que fosse, ao mesmo tempo, digno Deles e exprimisse tudo o que o doador e o donatário mais estimam, mais amam e mais quere”. Assim como nos deu seu Filho, o qual nos amou e desposou nele.

Essa doação de amor que se manifesta na entrega do Filho ao Pai assumindo a natureza humana para resgatar sua imagem e semelhança na pessoa humana, agradou ao Pai e o Espirito Santo, já que “encontrou estas divinas imagens e semelhanças profanadas, embrutecidas, vendidas, as quis readquirir, reconsagrar e novamente embeleza-la e, finalmente, desposá-las consigo mesmo, no seu sangue”. Daí o Ofertório do Preciosíssimo Sangue de Cristo, para o Beato Justino, se torna para os vocacionistas a grande oferta de amor do Filho ao Pai, nessa consagração que é a mais importante depois da Eucaristia, já que através dessa consagração recorda e atualiza a entrega do Pai que nos doa seu Filho e do Filho que nos restitui ao Pai através de seu sangue. Como o Filho fez a sua total oblação de amor de si mesmo ao Pai, assim também para que o homem possa chegar a essa união divina deve fazer a doação total do amado ao amante, no qual o amado não se torna somente um dom de si mesmo, mas sendo um todo com Deus na sua vontade, nos seus sentimentos, seus desejos, em tudo. Totalmente unido a Ele, em uma maior complacência de amor, já que Ele quer ser correspondido.

O beato Justino vê que esta união divina se realiza num tríplice lugar, ou seja, em três realidades donde podemos encontra: em Jesus Evangelho, em Jesus Igreja e em Jesus Hóstia.

Em Jesus-Evangelho significa que o próprio Evangelho é a palavra vivente, já que o próprio Deus chama e as coisas existem, fala e acontece. E como Jesus é a “síntese suprema de todas as comunicações de Deus ao Homem, de todas as elevações do homem a Deus”, Ele mesmo revela a seus discípulos a palavra do Pai, os quais não são servos, mas sim amigos, criando uma amizade, que através do silêncio interno e externo, e iluminado pelo Espírito Santo, nos faz recordar suas palavras, medita-la, até fundir com ela, ser uma só coisa com ela.

Em Jesus-Igreja, a Igreja sendo a continuação da obra da redenção de Jesus e de sua missão, se encontra nela o caminho para a união, já que ela é a mãe, que quer o melhor para seus filhos, como também o mistério do corpo místico de Cristo, sua esposa, a qual nos leva a essa união com Cristo ao Pai.

Em Jesus-Hóstia, é o lugar principal para a união divina, segundo o Beato Justino, donde podemos sentir todos os atos e estados da vida de Jesus, como não podemos separar de Jesus seus atos e inspirações, sua missão e infância, assim também na comunhão eucarística Jesus nos dá seu corpo, seu sangue, sua alma e divindade, sua própria vida para tornar todo em cada um de nos. Da mesma forma nos unimos a seu ser até tornar uma só coisa com Ele, isso é a divina união. Assim, transformado nele devemos ser também uma hóstia de sacrifício, manifestação de amor e de união, conduzindo todos a esta mesma união.

Por fim, toda a espiritualidade do Beato Justino está nesta resposta do homem ao amor trinitário, onde o Deus Uno e Trino quer ser um todo em todos.

(Revista Espírito Edição 131 (ano 2014) paginas 21-24)

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Saudação da CNBB ao padre José Ionilton Lisboa de Oliveira

Brasília, 19 de abril de 2017

Prezado Irmão, padre José Ionilton Lisboa de Oliveira.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebe com alegria a sua nomeação como bispo de Itacoatiara (AM). Renovamos, nesse ensejo, nossa gratidão ao Papa Francisco que escolhe pastores para as nossas Igrejas Particulares.

A cinquentenária Prelazia para a qual o senhor é enviado pela Igreja espera um novo bispo desde o falecimento de Dom Carillo Gritti. Estamos unidos a esse povo que acolhe o senhor neste momento e desejamos que seu trabalho seja cheio de frutos.

Para saudar sua nomeação, trazemos um trecho de uma mensagem do Papa Francisco dirigida aos bispos da Itália, em maio de 2013: “ser Pastor significa acreditar cada dia na graça e na força que nos vem do Senhor, não obstante a nossa debilidade, e assumir até ao fundo a responsabilidade de caminhar diante da grei, livres de pesos que impedem a sadia disponibilidade apostólica, e sem hesitações na orientação, para tornar reconhecível a nossa voz, quer por quantos abraçaram a fé, quer por aqueles que ainda «não são deste aprisco (Jo 10, 16): somos chamados a fazer nosso o sonho de Deus, cuja casa não conhece exclusão de pessoas ou de povos”.

Rezamos pelo bom êxito de sua missão e enviamos nosso abraço fraterno.

 

Em Cristo,

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília (DF)
Secretário-Geral da CNBB

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Pe. Ionilton nomeado bispo de Itacoatiara (AM)

A Nunciatura Apostólica no Brasil comunicou na manhã desta quarta-feira, 19 de abril, a decisão do papa Francisco em nomear para a vacante prelazia de Itacoatiara, no Amazonas, o padre José Ionilton Lisboa de Oliveira. O presbítero atualmente exerce o posto de vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Riachão do Jacuípe, pertencente à arquidiocese de Feira de Santana, na Bahia.

Natural de Araci (BA), padre José Ionilton Lisboa nasceu em 09 de março de 1962, na Fazenda Chã. Formou-se em Filosofia no Instituto Nossa Senhora das Vitórias e em Teologia na Escola Teológica do Mosteiro São Bento, de 1988 a 1991. Em 2015, fez a convalidação do Curso de Teologia na Universidade Católica de Salvador (UCSAL).

Sua ordenação presbiteral ocorreu em 1992, na paróquia Nossa Senhora da Conceição do Raso, em Araci (BA). Em sua trajetória, atuou, entre outras coisas, como membro do Conselho Presbiteral da arquidiocese de Vitória da Conquista, representando os religiosos em 2005 e membro da Diretoria da Conferência dos Religiosos do Brasil – regional Bahia/Sergipe.

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Vocação e Ecologia, laços que se integram

Desbravar a problemática relacional entre vocação e ecologia, nem sempre foi uma tarefa fácil para quem alimenta a cegueira do dualismo (separação) entre ambas. Entendemos por vocação, um chamado livre de um Deus que quer se relacionar com a sua criatura. Já ecologia um sistema que abarca toda a criação no pulsar do seu sopro de vida.

Nessas pequenas linhas de conceitos que se entre cruzam percebemos que tanto vocação e ecologia são pontos de profunda integração. Deus nos chama à vida e permiti-nos o sopro da mesma, que por consequência se dá num conjunto harmonioso de vários seres criados e sopros partilhados chamados para viverem juntos/as.

Compreender a vida na terra sem antes, perpassá-la pela ótica vocacional, possivelmente é um suicídio. Fomos chamados a ser gente, a viver, a se relacionar.  Vivemos no cosmo e somos interligados uns aos outros como criaturas chamadas a enamorar-se com tudo que fora ofertado por Deus para nossa satisfação responsável.

A Igreja neste tempo de reinterpretação da nossa fé cristã envolve-nos a repensarmos a nossa relação com tudo que foi criado por Deus. A proposta da Campanha da Fraternidade do ano de 2011 “Fraternidade e a Vida no Planeta” – com o lema bastante incisivo da Carta de Paulo à comunidade dos Romanos nos diz: “A criação geme em dores de parto”. Logo seguinte Paulo nos fala que também nós sofremos com essas dores, dores estas que atrapalham as nossas relações interpessoais, desconfigurando-nos de nosso chamado primeiro, a viver.

Há aqueles/as que acham que devemos viver sem se preocupar com a existência dos outros seres, até por que vamos para o mesmo fim, a morte. Realmente essa dinâmica de conceber a vida é interessante e possui uma verdade, mas além da morte acreditamos na vida, vida esta que é soprada agora e já e clama por interação, interação esta não só entre os seres humanos, mas com todo o universo. Há varias formas de buscarmos o diálogo com os seres; em cada um, Deus colocou uma forma intima e única de se comunicar. Faz bem lembrar que essa intervenção divina não é autoritária nem impositiva, e sim baseada na liberdade de um Deus que quer se relacionar e que não se cansa de buscar meios que permitam esse diálogo.

A criação geme em dores de parto, quando dominamos de forma desenfreada todos os seus recursos, sem antes escutá-la, acolhe-la, entende-la como ungida do Senhor e requerente de todo cuidado. Há um drástico afastamento relacional impossibilitando o interagir característico da criação. Aqui faço memória de 1Sm no capitulo 26, onde Abisaí motiva Davi para que o mesmo mate Saul, mas Davi sabiamente responde “Não o faça perecer. Quem levantaria a sua mão contra o ungido de Iahweh e ficará impune?”(V-9). Essa saga expressa uma profunda reflexão para a nossa vida. Como séria importante e o quanto contribuiria para a criação se concebêssemos tudo o que Deus fez como ungidos do Senhor. E que ao relacionar-se com nós seres humanos e os outros seres, partilhássemos essa marca de unção que possibilita o respeito à vida.

Essa compreensão remeteu-nos a um reencantar-se com a criação, a entrarmos numa dinâmica que já nos dizia o saudoso Dom Helder, “um estado permanente de amorização”. A unção é pressuposto real de que somos criaturas, vocacionadas por Deus a viver na diversidade e com ela, aprendermos a lidar com a vida de forma sadia e cuidadosa. Então nos diversos setores em que nos encontramos, vamos tratar o cosmo como ungido do Senhor, não por aparência, mas como algo real e que nos move a respeitar o processo ascensional de todos os seres, respeitando, acolhendo e, sobretudo nos sentindo responsáveis por todos (Gn 1,26).

O povo de Deus no Antigo Testamento é marcado por esta relação entre, chamado (Aliança) e terra prometida. É realmente um povo que buscava essa integração de forma natural, uma vez que percebiam Deus em tudo, na colheita, nas atividades diárias. Protótipo disso é a vocação de Moisés, onde o mesmo se encontra num ambiente ecológico e vocacional, ecológico porque Deus interpela-o num momento que estava arando a terra para o sustento, vocacional, porque Deus considera o espaço ecológico de Moisés e o chama, para ir além desse espaço e das pessoas que o compõem.

Enfim, nosso trabalho nesta caminhada vocacional-ecológica, acima de tudo é de nos reconhecermos como participantes dessa integralidade de nosso chamado. Percebermos que Deus incessantemente não se cansa de chamar e cuidar de todos os vocacionados/as que Ele ama. Cabe-nos respondermos a esse processo de integralidade.

Por Edmilton Neves Romão, SDV

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Quinta-feira Santa: O Papa Francisco escolheu novamente uma prisão

(ZENIT – Roma, 6 Abr. 2017).- O Papa Francisco vai presidir na Quinta-feira Santa, à Santa Missa na Ceia do Senhor (InCoena Domini), com o rito do lava-pés, num centro de detenção italiano: a Casa de Reclusão de Paliano, localidade ao sul de Roma.

E’ um Instituto dedicado aos colaboradores da Justiça com 140 reclusos em duas sessões: uma masculina e outra feminina, também com outra sessão para os doentes de tuberculose. Os reclusos fazem trabalhos de restauração, em hortas e outras atividades produtivas, como por exemplo uma pizzaria interna.

A celebração na tarde de quinta-feira, 13 de abril, de acordo com a informação divulgada hoje pela Sala de Imprensa da Santa Sé, é “estritamente privada”.

Trata-se da terceira vez que Francisco celebra este rito numa prisão. Em 2015, a missa foi realizada no Presídio de Rebibbia, em Roma. Em 2013, o local foi o Cárcere para Menores “Casal del Marmo”, também em Roma; no ano passado, o Santo Padre lavou os pés dos refugiados no centro de acolhimento de Castelnuovo, município ao norte de Roma. Em 2014, a cerimonia foi no Centro Santa Maria da Providência, na periferia romana, que acolhe pessoas com deficiências.

Fonte: Zenit.org

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O Vídeo do Papa: Abril de 2017. “Peçam comigo pelos jovens”

(ZENIT – Ciudad del Vaticano, Abr. 2017).- Os jovens têm em suas mãos o desafio de construir um futuro mais solidário e mais justo. Apoiemo-lhes. Peçamos com o Papa para que eles se mobilizem e lutem com generosidade pelas mudanças de que o mundo precisa.

“Sei que vocês, jovens, não querem viver na ilusão de uma liberdade que se deixa levar pela moda do momento, mas que apostam alto. É assim, ou estou errado? Não deixem que outros sejam os protagonistas da mudança” diz o Papa.

“Vocês jovens são os que têm o futuro. Eu lhes peço que o construam, que trabalhem por um mundo melhor. É um desafio, sim, é um desafio! Vocês aceitam? Peçam comigo pelos jovens, para que saibam responder com generosidade à própria vocação e se mobilizem pelas grandes causas do mundo”.

 

Todos os meses, o Papa confia à sua Rede Mundial de Oração, o Apostolado da Oração, intenções que exprimem as suas grandes preocupações pela humanidade e pela missão da Igreja. Sua intenção de oração mensal (num mês universal e noutro pela evangelização) é uma convocatória mundial para transformar a nossa oração em «gestos concretos». Resume o seu plano de ação para nos mobilizar, cada mês, através da oração e da ação, por um objetivo tendo em vista construir um mundo mais humano e solidário. Além, o Santo Padre propõe, no início de cada mês(1er Ângelus), uma intenção de oração relacionada com a atualidade, uma intenção de “última hora” que nos arranca de la globalização da indiferença.

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Ameaças da Ideologia de Gênero

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

Nesta semana, a nossa cidade viveu alguns momentos importantes sobre a elaboração do Plano Municipal de Educação. A discussão foi muito significativa e trouxe à luz muitas situações relevantes, e é necessário que reflitamos sobre isso. Também tomamos conhecimento de que o Ministério da Educação tem consigo, em três diferentes versões, a Base Nacional Curricular Comum (BNCC).

Trata-se de um Documento elaborado pelo próprio Ministério junto com representantes da área educacional e, aprovado pelo Conselho Nacional de Educação, será, finalmente, implementado em mais de 190 mil escolas públicas e particulares (incluindo, é óbvio, as mantidas por entidades religiosas) do Brasil.

Ocorre, no entanto, que tanto o PME em discussão aqui no Rio de Janeiro e as três versões da BNCC ignoram o PNE (Plano Nacional de Educação) aprovado pelo Congresso Nacional, dado que este, atendendo aos legítimos apelos da Nação, retirou do texto toda menção à ideologia de gênero que a BNCC, agora, deseja reinserir. Aliás, esse tipo de manobra é antiga e sempre volta: quando o Congresso não aprova algum desejo de um grupo, as manobras fazem com que tudo volte de um outro modo a ser imposto à população, seja por via executiva, seja por via judiciária.

Ora, essa ideologia, sob capa de correta e louvável proteção às mulheres, impõe, na verdade, a mais radical ideologia da História, dado que, se levada às últimas consequências, destruirá a humanidade, conforme afirma o estudioso argentino Dr. Jorge Scala. (Cf. Ideologia de gênero: neototalitarismo e morte da família. São Paulo: Catechesis/Artpress, 2011, p. 11).

E por que destruirá? – Porque prega que “a diversidade sexual homem-mulher, e suas derivadas esposo-esposa e pai-mãe, não procedem da natureza, mas são impostas por uma ‘cultura’ arbitrária mediante um sistema discriminatório e repressivo. Esse fenômeno perpetua-se por culpa das instituições (família, escola, Igreja), que condicionam a formação das crianças, impedindo-lhes de escolher a ‘orientação sexual’ e o ‘papel reprodutivo’ que elas prefeririam”.

Daí “a ideologia de gênero quer libertar as crianças e os adultos desse sistema repressivo, de maneira a criar uma ‘sociedade sem classes sexuais’ mediante a ‘desconstrução’ dos papéis sexuais e reprodutivos e das instituições sociais que os reproduzem, sobretudo as familiares, escolares e religiosas. Portanto, ela pretende que tanto os programas escolares quanto os de ‘reeducação’ familiar e de ‘renovação’ religiosa proíbam o ensino moral e da fé, substituindo-o pela ideologia do gender” (Oscar Alzamora Revoredo. Ideologia de gênero: perigos e alcance. Lexicon. Brasília: CNBB, 2014, p. 491-507, apud Opção preferencial pela família. São Paulo: Supplica Filiale, 2015, p. 21).

Trata-se, portanto, como se vê, de uma subversão de toda a ordem natural querida por Deus, pois nega, radicalmente, a natureza humana em matéria sexual (ninguém nasceria, psicologicamente, homem ou mulher, mas escolheria ser homem, mulher ou neutro – nem um nem outro – com o tempo) para impor uma ideologia que o Papa Francisco não hesitou em classificar como “demoníaca”, em 30/01/2015. Ele segue a mesma linha de seu imediato predecessor Bento XVI, que afirmava, em 21/12/2012, em discurso à Cúria Romana, ser tal sistema de ideias uma forte revolta da criatura contra o Criador, que fez o ser humano homem e mulher (cf. Gn 1,27). Portanto, ela é inaceitável à luz não só da fé e da moral, mas também da sã razão fundamentada nas ciências biológicas.

Diante dessa seríssima ameaça que nos cerca, é preciso que, junto a outras forças vivas e atuantes da nação, dentro da lei e da ordem, alertar o maior número possível de pessoas, bem como demonstrar – de modo sereno, mas, ao mesmo tempo, claro e convicto – nossa discordância a mais esta ameaça ao Brasil. Ela começa pela deformação de nossas crianças e adolescentes e, por esse meio, atinge também as famílias, a religião e, por fim, a sociedade em geral.

É muito importante que nos manifestemos nas Câmaras Municipais e também diante das imposições dos outros poderes que tentam legislar aquilo que já foi decidido de outra forma pelo Congresso Nacional. É fundamental que os vereadores façam valer o bom senso e construam para a posteridade uma cidade que progride e avança dentro de valores importantes para a vida humana.

Uma outra forma de demonstrar nosso sadio descontentamento é assinando a petição online no endereço eletrônico abaixo disponível para este fim, bem como rezando para que Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, a maior educadora da história humana, interceda junto a Deus por nós, a fim de que não nos deixemos, junto às nossas famílias e comunidades, levar por mais este grave perigo que ameaça corromper moralmente a Nação Brasileira de nossos dias.

http://www.citizengo.org/pt-pt/42179-com-ideologia-genero-nao-havera-base-curricular

Com uma saudação fraterna a todos os homens e mulheres de boa vontade que querem construir uma nação humana e com valores da família.

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Ir. Luis Felipe,SDV recebeu o ministério do Leitorato em Riachão do Jacuípe-BA

MINISTÉRIO DO LEITORADO

Faz-se necessário expor a breve colocação do que é o ministério do leitorato, desde quando é conferido, quais os candidatos que podem receber este ministério e quais são as suas funções e o seu compromisso dentro da Igreja.            

A Igreja para uma maior vivência da fé desde tempos antiquíssimos oferece a seus fieis ministérios instituídos, para que cada um possa render culto com o seu serviço e o louvor a Deus na sua comunidade, e através dela na Igreja. Estes ministérios são oferecidos, não somente aos candidatos à ordem sacerdotal, mas também a qualquer lego idôneo, ou seja, com certas características necessárias, para receber estes ministérios; porém, para quem pretende receber o ministério ordenado converte-se em um pré-requisito, antes de receber o primeiro grau da Ordem[1]. Todavia, na prática não é executado dessa forma, ainda é tido como algo particular e especial para os candidatos à ordem sacerdotal.

Entre os ministérios que eram oferecidos temos: ostiariado, o leitorado, o exorcistado e o acolitado, conhecidos como ordens menores e que eram reservados só para os candidatos à ordem sacerdotal. No entanto, sua santidade Paulo VI, seguindo os enunciados do Vaticano II e buscando adaptar-se as necessidades atuais, mediante a carta apostólica em forma de Motu prorprio MISTERIA QUAEDAM de 1972, acho por bem serem mantidos o leitorado e o acolitado; entretanto, “os ministérios acima referidos já não sejam chamados, doravante, ordens menores, e que a sua colação não se chame «ordenação», mas «instituição»”[2]. E ao mesmo tempo dispô-los para todos os fiéis que queiram recebê-los para contribuírem com maior compromisso na evangelização e levar a mensagem para todos, que têm necessidade e disponibilidade de ouvir a Palavra de Deus.

Assim seguindo as diretrizes do Concilio Vaticano II, sua santidade, o Papa Paulo VI faz suas as palavras promulgadas na constituição Sacrosanctum concilium e expressa que cada membro da Igreja possa cumprir e desenvolver a sua função, quando diz: “nas celebrações litúrgicas, se limite cada um, ministro ou simples fiel, ao desempenhar a sua função, a fazer tudo e só o que lhe compete, segundo a natureza do rito e as normas litúrgicas[3]

O ministério do leitorado que me foi confiado pela Igreja, após ter feito livremente o pedido e ser aprovado pela autoridade competente, neste caso, o Governo Provincial, tem as seguintes funções:

“de ler a palavra de Deus nas assembleias litúrgicas –com excepção, porém, do Evangelho–  (…) na falta do salmista, será ele a recitar o salmo entre as leituras; quando não houver diácono ou cantor, será ele a enunciar as intenções da oração universal; a dirigir o canto e a orientar a participação do povo fiel; a preparar os fiéis para a recepção digna dos Sacramentos. Poderá, além disso, na medida em que for necessário, ocupar-se da preparação de outros fiéis que, por encargo temporário, devam ler a Sagrada Escritura nas ações litúrgicas[4].

Como o próprio Cristo falou, “ninguém pode dar aquilo que não possui”, por isso seguindo o conselho de São Jerônimo, que nos fala que: “desconhecer as Escrituras é Desconhecer o Próprio Cristo”, por isso, quem recebemos o ministério do leitorado é conveniente termos presente o que sua santidade determinou na sua carta apostólica Misteria Quaedam : “Para poder desempenhar-se destas funções, cada vez com maior aptidão e perfeição, procure meditar com assiduidade a Sagrada Escritura”[5].

Por tanto o ministério do leitorato está a serviço do povo e deve ser oferecido para qualquer leigo idôneo; pois, pelo fato de sermos irmãos porque somos filhos do mesmo Pai, então, com os mesmos direitos, por isso deve-se convidar a todos para se formarem, e quem se identifique e tenha a disponibilidade receba o ministério. Porem, não esqueça que o ministério não é só um direito para os fieis, senão ainda um dever de seguir o mandamento do nosso Senhor de “ir por todo o mundo e anunciar o evangelho”. Por isso, peço a todos meus irmãos oração para que possa exercer com responsabilidade e humildade este ministério que me foi entregue. E ao mesmo tempo sou grato por me haver concedido o mesmo.

[1] Cf. PAULO VI, Carta apostólica em forma de Motu prorprio MISTERIA QUAEDAM, disponível em:http://www.liturgia.pt/pontificais/Leitores_Acolitos.pdf ascessado em 26/07/2015.

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